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Ishpa

Antigo jogo de tabuleiro que tem como principal objetivo desenvolver a lógica e o raciocínio rápido. É muito apreciado entre os Gnomos, e se pode ver um tabuleiro deste jogo na casa de qualquer gnomo típico. Normalmente os tabuleiros são feitos de madeira e as peças de pedra polida. As peças se comportam como engrenagens, quando se move uma, todas as outras se mexem. O objetivo é trazer o mîr, uma peça um pouco maior que as outras, até o seu lado do tabuleiro. O tabuleiro é chamado de hweol e as outras peças de clawu.

E saiu uma resenha no Pausa Para um Café do livro novo, Três Viajantes.

 

Confira aqui.

Anões

reinoanaoUm dos povos mais poderosos de Breasal. A localização do seu reino, no extremo sudeste do mundo, garante acesso exclusivo às ricas Minas de Wokhan. Sentem um grande apreço pela natureza e a luta. São duros, mas justos para com todos.  Os braços e pernas fortes, acostumados a trabalhos manuais, cavam persistentemente as montanhas. São teimosos e persistentes em suas crenças. Apesar de serem mais baixos que Humanos e Elfos, sua constituição forte por muitas vezes lhes garante vantagem sobre as outras raças. Gostam de usar barbas e seus cabelos são escuros ou ruivos. São respeitados por todos os povos do mundo e sua palavra sempre tem grande influência quando uma decisão importante precisa ser tomada.

Três Viajantes

CapaTresViajantesRGBMeu novo livro, Três Viajantes, acabou de chegar da gráfica. Ficou uma beleza, gostei muito do resultado final.

 

“Estus, Rusc e Lisael são prisioneiros nas masmorras da Fortaleza de Perfain e o encontro que à primeira vista pode ser uma simples coincidência, inicia uma incrível aventura que levará os três viajantes ficarem diante de um antigo segredo. Os Oráculos realmente existem? É possível saber de todo o seu futuro? Perseguidos pelo poderoso Senhor de Perfain, enfrentando bestas no deserto de Tatekoplan e consultando a venerável Mestra da Biblioteca da cidade de Krassen, os três viajantes se juntam a andarilha Aetla para chegar até a resposta deste mistério.”

 

Lobo Cinzento

A taverna estava cheia e os copos não paravam de dançar por sobre o balcão ao som das vozes grossas que pediam por mais cerveja. Estava frio e lá fora uma fina neve era levada pelo vento. Borx, o taverneiro, não poderia ter imaginado melhor cenário para encher sua gaveta com peças de prata e cobre. As mesas eram poucas, mas estavam repletas e quase todos os homens da vila se encontravam por ali. No Reino de Golloch  é uma tradição os homens seguirem para a taverna beber cerveja e fumar seus charutos fedorentos. E todos, com prazer, fazem questão de não ignora-la.

Os únicos ausentes eram o velho Berdask, por conta de uma enfermidade, e Kiergan que estava com a mulher de Gunfer, um dos bêbados mais animados do local.

O jogo inevitavelmente acompanhava esta noitada e é impossível dizer quantos já perderam o lucro de todo um ano para na noite seguinte dobrá-lo. Para Borx o jogo traz benefícios, mas também um sério problema. As brigas. E sempre quem acaba levando o pior são os móveis de madeira escura da taverna. Mas até aquele momento nenhum desentendimento tinha acontecido e os copos e canecas continuavam indo cheios e voltando vazios sobre o refrão de “manda mais um”. Seria uma noite perfeita para o gordo Borx.

Seria. Se não fosse pela figura que cruzou a porta no mesmo instante que o taverneiro se dava ao capricho de pensar que a noite acabaria bem. Tinha um casaco de pele sobre os ombros e um capuz cobria seu rosto. Instintivamente todos se viraram para ver quem deixava o ar gelado os incomodar. Por um instante as conversas cessaram. A surpresa era compreensível já que todos os conhecidos da vila estavam lá dentro. Quem entrasse só poderia ser um forasteiro. E forasteiros não eram bem-vindos ali.

O humano retirou o capuz que protegia seu rosto e mostrou uma pele bronzeada pelo Sol e traços suaves. Um sulista. Os cabelos da nuca de Borx se arrepiaram, dali coisa boa não iria sair. Especialmente agora, pois com o canto do olho o taverneiro percebeu que Gotnor tinha se levantado e caminhava lentamente em direção do forasteiro.

Gotnor tinha conquistado a fama de maior guerreiro da vila, assim como o de grande encrenqueiro e um beberrão de primeira. Passava os dias procurando alguém para importunar até que um duelo fosse clamado e enfim ele pudesse pelear. Entretanto uma coisa é preciso se admitir sobre o brutamonte, ele sabia o que fazer com uma espada.

O guerreiro se colocou a frente do forasteiro e seus olhos ficaram a mesma altura, pois também o visitante era alto e forte. E apesar de ser uma situação incomum para Gotnor, não deixou se intimidar. Encarava com grande ironia nos olhos e passava displicentemente a mão por sua densa barba negra.

– Escute rapaz – finalmente disse – todos nós entendemos que você é de fora e não sabe como as coisas funcionam por aqui. Por isso – de sua boca exalava um forte cheiro de bebida – deixaremos desta vez que você vá embora sem que nada demais lhe aconteça.

O forasteiro apenas olhava em silêncio, sua expressão indiferente e seus olhos tranqüilos.

– Bem que imaginei, um menino que acabou de aprender a se limpar sozinho não ia entender – pois o forasteiro realmente não aparentava ter mais do que vinte temporadas. – Vou explicar melhor. Saia daqui garoto, antes que você se machuque.

Naquele ponto, para desgosto de Borx, ninguém bebia ou falava. Esperavam com ansiedade qual seria a resposta do garoto.

– E quem aqui poderia me machucar? – desafiou e antes que Gotnor pudesse responder prosseguiu. – Poupe sua saliva e escute o meu desafio para você – ele se virou para Borx – você, taverneiro, diga-me qual o maior feito que um guerreiro poderia realizar nesta região?

Borx pensou por um instante, mas conhecia a resposta. Seus ouvidos já tinham agüentado inúmeras histórias sobre o horror que vive perto das ruínas da antiga fortaleza.

– Matar a besta que vive nas ruínas – respondeu com a aprovação imediata dos ouvintes.

– Uma besta terrível – acrescentou o velho Ferigan – simplesmente mortal. Ninguém que se aproxima das ruínas volta com vida. Perdi meu filho para o maldito!

O forasteiro sorriu. Enquanto ofereciam um copo de cerveja para consolar Ferigan.

– Creio que é um feito digno de um grande guerreiro – ele voltou seu olhar para Gotnor – irei embora, mas amanhã à noite trarei a cabeça da besta para ser pendurada na parede. E então, quem terá que deixar este simpático local é você.

– E se você não trouxer?

– Melhor, pois a besta terá me matado e não serei mais uma preocupação para você.

Gotnor pensou por um momento e achou que seria uma maneira divertida de se livrar do garoto. Afinal ele iria embora hoje e morreria amanhã.

– Está bem, aceito seu desafio – o guerreiro sorriu – agora vá e não nos incomode mais.

O forasteiro saiu em silêncio com a mesma expressão tranqüila. Aos poucos a taverna foi voltando a sua agitação habitual e Borx ainda não acreditava que tudo tinha acabado desta maneira. Mesmo assim sentiu pena pelo garoto, ele era corajoso.

– Rapaz! – chamou Gotnor quando o forasteiro atravessava a porta – diga-me seu nome para que amanhã eu me lembre de fazer um brinde em homenagem ao garoto mais idiota que conheci.

O forasteiro apenas sorriu antes de responder.

– Chamo-me Kólon. E não se preocupe, você não esquecerá este nome – deu as costas, colocou seu capuz e sumiu na neve que agora caía com força.

 

A taverna estava cheia e a neve, finalmente, tinha declarado uma trégua a vila. Borx estava novamente alegre. O evento da noite passada tinha rendido muita conversa e poucos jogos. O saldo foi de apenas uma briga e nenhum móvel quebrado. Entretanto hoje, mesmo com os copos dançando como nunca no balcão, sabia que seria uma noite ruim. Pois se as cartas não apareceram, apostas foram feitas de todas as formas e no momento de cobrar, a situação ficaria feia.

Era uma das poucas noites em que todos estavam lá. Berdask quase tossia seus pulmões boca a fora, Kiergan bebia abraçado com Gunfer. Seria inaceitável perder o que estava para acontecer, ou para ser mais preciso, o que não aconteceria. Afinal, por mais bêbado que estivesse ninguém acreditava que o forasteiro iria voltar.

Gotnor era o mais animado e sua voz sobressaía sobre as outras. Ficava repetindo que ao invés de querer enfrentá-lo, o garoto tinha preferido a besta. Para o guerreiro era claro que sua fama tinha atravessado muitas fronteiras e agora todo o reino o temia. Borx ficava alegre com isso porque o guerreiro já tinha bebido por três ou quatro.

A Lua já estava quase terminado seu passeio pelos céus quando a porta se abriu. Novamente o silêncio se seguiu e olhos curiosos se agitaram. E a primeira coisa que avistaram foram os olhos sem vida da besta. Um enorme lobo cinzento, sua boca mostrava dentes maiores que o punho de um homem. O forasteiro entrou depois, deu alguns passos e levantou seu troféu sobre a cabeça.

O silêncio foi quebrado por uma saudação. Gritos de aprovação irromperam pelas mesas. Brindes eram feitos e Borx estava aliviado, ninguém tinha ganhado.

Kólon ofereceu a cabeça para o taverneiro e sugeriu um lugar para ela ser pendurada. Borx agradeceu com um copo de cerveja por conta da casa. Todos se aproximaram para ver a besta. Realmente era impressionante, o corpo deveria ser muito maior do que o de um urso e mesmo sem vida os olhos deixavam claro a ferocidade do bicho.

– Vejam! – apontou Ferigan – seus dentes estão manchados de sangue.

Todos riram do velho fazendeiro, mas todos estavam realmente aliviados de que a besta estava morta.

Porém a descontração de Borx durou pouco. Gotnor se levantou já portando sua espada. Cruzou o salão e ficou a frente de Kólon.

– Isto apenas prova de que você sabe matar um cão brabo – tentou ser irônico, mas era uma situação complicada – vamos ver do que você é capaz contra um guerreiro de verdade.

Gotnor apontou sua espada para o forasteiro demonstrando seu desejo por um duelo. Kólon, calmamente terminou sua cerveja.

– Não preciso duelar com você ou provar qualquer coisa. Fizemos uma aposta e você perdeu – ele deu dois tapinhas na cabeça do lobo – por isso pare de nos importunar e vá para casa. Desta vez deixaremos que você saia sem se machucar.

Os olhos do guerreiro arderam em fúria e ele atacou. Sua lâmina raspou o casaco de Kólon e cravou no balcão. O forasteiro teria seu braço arrancado se não tivesse o reflexo necessário para se mover com precisão.

Kólon aproveitou o instante para empurrar seu oponente com um encontrão. O guerreiro caiu no chão, mas teve a habilidade para desprender sua arma. O forasteiro também empunhava sua espada. Borx lamentava e esperava pelo pior.

Gotnor ficou de pé e rapidamente atacou. Seu golpe foi aparado e com um passo para trás ele conseguiu escapar do contra-ataque. Eles trocaram golpes, o aço das espadas se chocou várias vezes e nenhuma defesa foi sobrepujada. Seria uma luta como nunca se vira na vila.

Os oponentes se encaram por instantes, o suor escorria por suas testas e as mãos apertavam com força o cabo das armas. Kólon atacou, o primeiro golpe Gotnor defendeu, o segundo ele esquivou, o terceiro atingiu sua coxa e o quarto arrancou sua mão.

O guerreiro largou sua espada e caiu de joelhos enquanto segurava o braço ensangüentado. Seu grito foi o único som que se escutava. Ninguém sabia exatamente o que era preciso fazer. Apenas Kólon demonstrava serenidade enquanto limpava sua lâmina.

O forasteiro guardou sua espada e foi até o balcão. Segurou a cabeça da besta e arrancou um de seus caninos. Sem dizer uma palavra guardou o dente em seu casaco e foi embora. Nunca mais seu rosto foi visto na vila.

 

Ainda hoje é possível encontrar a cabeça da besta, sem um de seus caninos, pendurada na taverna de Borx. Para os mais novos contam histórias sobre o guerreiro chamado de Lobo Cinzento e de como, em uma luta feroz e fantástica, matou a besta. O único que ainda lembra o verdadeiro nome desse guerreiro é um bêbado maneta que enche os ouvidos de todos sobre os feitos de um famoso guerreiro chamado Kólon.

Três Viajantes narra a aventura de Estus, acompanhado de Rusc, Lisael e Aetla, em busca de um grande segredo, seriam os lendários Oráculos de Breasal verdadeiros. Uma corrida contra um terrível inimigo, o Senhor de Perfain. Enquanto Estus se aventura pelo grande deserto de Tatekoplan, a fama dos Basiliscos começa a se espalhar pelo mundo.

O livro sai em abril de 2014.

Saiu mais uma resenha do Ira dos Dragões feita pelo Jonathan Carneiro (@Jhonatan_Edi) para o site Coolture News leia aqui.

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